
Nos bastidores da política, o anúncio do rompimento do MDB com a base de apoio à reeleição da governadora Celina Leão foi interpretado como mais do que uma simples mudança de rota. Ao utilizar as redes sociais para comunicar a decisão, Ibaneis explicitou um movimento estratégico que, segundo analistas, já vinha sendo arquitetado desde a gestão anterior do próprio ex-governador.
Em um vídeo publicado no Instagram, Ibaneis evitou ataques diretos, mas deixou nas entrelinhas uma insatisfação pouco fundamentada com Celina. Faltaram explicações concretas sobre os motivos do racha, o que levou aliados e adversários a classificarem a postura como oportunista.
A ruptina soa ainda mais contraditória quando se lembra que, no dia 30 de março, ao renunciar ao cargo para concorrer ao Senado, Ibaneis participou da posse de Celina e a elogiou publicamente como uma mulher "correta e leal". Na ocasião, ele a chamou de "escudo do governo", reconhecimento que agora contrasta com o afastamento repentino e pouco esclarecido.
Enquanto Ibaneis Rocha coleciona elogios a aliados do passado problemático, nos bastidores do Palácio do Buriti quem segurou a administração nos momentos mais críticos foi a vice-governadora, Celina. Foi ela quem assumiu a linha de frente diante das crises institucionais mais espinhosas, incluindo os desdobramentos do dia 8 de janeiro — um episódio que manchou a gestão e culminou no afastamento do próprio governador.
Celina não apenas garantiu a governabilidade num período de desgaste extremo, como também articulou politicamente com a Câmara Legislativa e evitou um colapso maior na imagem do governo. Enquanto Ibaneis lidava com as consequências jurídicas e políticas do seu afastamento, Celina agia para manter o DF de pé.
Um dos maiores exemplos desse trabalho silencioso, porém pesado, foi a tentativa de salvar o BRB de um rombo milionário. A instituição financeira pública sofreu um verdadeiro golpe arquitetado pelo ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, preso na operação “Papudinha”. Coube a Celina correr atrás do prejuízo, numa luta diária para evitar a quebra do banco e restaurar a confiança no sistema financeiro do DF.
Mas a moeda de troca por tamanha dedicação foi um vídeo de menos de um minuto. Nele, Ibaneis, ao ser perguntado sobre a candidatura do inelegível José Roberto Arruda, transborda elogios ao antigo algoz. Ironia à parte: foi o próprio Arruda quem chamou Ibaneis de “governador master” em tom de escárnio, associando-o ao escândalo do BRB.
A contradição é explícita: enquanto Celina enfrentava leões por dia para manter a base aliada e limpar a sujeira deixada pela gestão anterior e pelo próprio afastamento de Ibaneis, o governador agora estende a mão a quem o atacou. O eleitor do DF assiste perplexo a um enredo no qual a lealdade vira descarte e ofensas do passado são varridas para debaixo do tapete eleitoral.
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